Câncer urotelial no Brasil: o forecast conhece o funil — mas o que acontece no mundo real?

maviePulse™ Thought Leadership Series · Brasil · Michael Sale, CEO

Como novas opções terapêuticas aumentam a importância de enxergar a jornada real.

A oncologia está acostumada a trabalhar com funis. Incidência, diagnóstico, estágio, elegibilidade, tratamento, progressão e linhas subsequentes fazem parte dos modelos usados para estimar mercados e construir forecasts.

O desafio não está em reconhecer que pacientes se perdem ao longo do percurso. Está em saber quanto das taxas de conversão usadas no planejamento representa o que realmente acontece na prática brasileira — e quanto ainda depende de premissas.

O câncer urotelial é hoje um bom exemplo. Nos últimos anos, novas opções terapêuticas modificaram diferentes momentos da doença. No Brasil, enfortumabe vedotina em combinação com pembrolizumabe ampliou as possibilidades no carcinoma urotelial avançado e, em 2026, passou também a integrar uma estratégia perioperatória para pacientes selecionados com câncer de bexiga músculo-invasivo.1 2

Ao mesmo tempo, novas evidências brasileiras mostram que a jornada não é necessariamente uniforme. Um estudo com 914 urologistas de 25 unidades federativas, focado na saúde suplementar, identificou diferenças importantes na disponibilidade de tecnologias, acesso à BCG e padrões de tratamento.3 Mesmo em um sistema no qual antineoplásicos injetáveis dentro da indicação aprovada pela Anvisa têm cobertura obrigatória, cobertura não significa necessariamente utilização uniforme.4

O forecast estima o funil. A inteligência de mundo real mostra como ele realmente funciona.

Um forecast pode estimar a sequência população → diagnóstico → estágio → elegibilidade → tratamento → progressão → próxima linha. Mas o dado de mundo real permite outras perguntas: quantos chegaram? Quanto tempo levou? O que receberam? Por quanto tempo permaneceram? Por que interromperam? E o que aconteceu depois?

Uma linha de tratamento não garante a próxima: 45,6% receberam 2L e 13% chegaram à 3L numa coorte brasileira (n=46).
Uma linha de tratamento não garante a próxima. Coorte brasileira multicêntrica, n=46. Não extrapolar como estimativa nacional.

Uma pequena coorte brasileira tratada com manutenção com avelumabe ilustra o desafio: após progressão, 45,6% receberam segunda linha e apenas 13% chegaram à terceira.5 Os números não devem ser extrapolados nacionalmente, mas mostram por que uma linha prevista no pathway não é necessariamente uma linha alcançada pelo paciente.

Para equipes de Marketing, Business Intelligence, Medical Affairs e Market Access, essa diferença pode ser decisiva. E é justamente entre o paciente previsto e o paciente observado que novas oportunidades de inteligência podem surgir.

Referências selecionadas

  1. Anvisa. Ampliação de indicação de enfortumabe vedotina + pembrolizumabe em carcinoma urotelial avançado. 2024.
  2. Anvisa. Nova indicação perioperatória para câncer de bexiga músculo-invasivo. 2026.
  3. Astua IF et al. Bladder Cancer Management in Brazil's Supplementary Health System: Real-World Practice Patterns. Int Braz J Urol. 2026.
  4. ANS. Cobertura de medicamentos antineoplásicos injetáveis na saúde suplementar.
  5. Real-world efficacy and sequential therapy patterns after avelumab maintenance in metastatic urothelial carcinoma: a Brazilian multicenter retrospective cohort study. 2026.

Leia o Executive Perspective completo: "Câncer Urotelial no Brasil — Do forecast à jornada real do paciente".